NaBeira Blues

A NaBeira Blues é uma banda de blues formada em São Paulo, em 2019, por Tom Veras (guitarra) e Fê Veras (voz). Seu repertório tem como principal referência o Chicago Blues dos anos 1950 e 1960, com influências de Koko Taylor, Willie Dixon, Buddy Guy e outros artistas da música negra norte-americana. Além do repertório, a banda desenvolveu uma identidade própria, relacionada ao improviso, à liberdade de interpretação e ao blues como expressão das experiências humanas. Com formação flexível e músicos convidados, realiza apresentações em bares, festivais, eventos e espaços culturais, tendo São Paulo como base e disponibilidade para shows em todo o Brasil.

A HISTÓRIA DA BANDA

Como surgiu a NaBeira Blues

A NaBeira Blues surgiu em 2019, a partir da relação de Tom e Fê Veras com o blues, gênero que já fazia parte da vida do casal muito antes da formação da banda. Frequentadores de casas de blues em São Paulo desde os anos 1990, ambos desenvolveram um interesse particular pela música negra norte-americana, especialmente pelo blues elétrico de Chicago.

Tom já tinha uma trajetória como músico e professor de guitarra. Fê começou a explorar o canto mais tarde, depois dos 40 anos, inicialmente de maneira reservada, sem a intenção de se apresentar publicamente. Sua relação com o blues havia começado anos antes, especialmente por meio dos discos de Koko Taylor.

Os primeiros ensaios aconteceram na escola de música Art Viva, em São Paulo, reunindo amigos e músicos convidados. Eram encontros musicais que também abriam espaço para conversas sobre música, filosofia, psicologia e experiências pessoais.

A primeira apresentação pública aconteceu em dezembro de 2019, no Bar do Urso, no Itaim Bibi, bairro onde o casal vive. Fê, que inicialmente tinha receio de cantar em público, começou a desenvolver sua experiência como intérprete ao longo dessas apresentações.

Desde então, Tom e Fê permaneceram como núcleo da banda, trabalhando com diferentes músicos e formações. O projeto nasceu de maneira informal e foi adquirindo uma identidade musical e conceitual própria.

O NOME E SEU SIGNIFICADO

NaBeira: entre o blues e a filosofia

O nome NaBeira Blues surgiu durante os primeiros ensaios, de uma situação bastante simples. O baterista que acompanhava o casal vinha de outra linguagem musical e tinha dificuldade para executar o shuffle e outras características rítmicas próprias do blues.

Como a banda ainda procurava encontrar o balanço e a linguagem musical desejados, surgiu a brincadeira de que o grupo estava sempre "na beira do blues". A expressão acabou sendo adotada como nome.

Mas a escolha também encontrou um significado na filosofia, especialmente no pensamento do filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard (1813–1855), um dos precursores do existencialismo.

Uma das questões centrais de Kierkegaard é a condição humana diante da liberdade. O indivíduo não vive apenas diante de situações determinadas: ele se encontra continuamente diante de possibilidades, decisões e caminhos que poderiam ser diferentes.

A liberdade, nesse sentido, não representa somente a capacidade de escolher. Ela também envolve a incerteza sobre as consequências de cada escolha e a responsabilidade por aquilo que se decide fazer.

Na reflexão de Kierkegaard, essa relação entre liberdade e possibilidade está ligada à angústia. A imagem de alguém diante de um abismo ajuda a compreender essa condição: não se trata apenas do medo de cair, mas também da percepção de que existem possibilidades abertas diante de si.

Para Tom e Fê, estar "na beira" tornou-se uma maneira de representar essa condição humana. Estar diante do desconhecido, das possibilidades, das mudanças e das escolhas que fazem parte da vida.

O nome, portanto, passou a carregar dois sentidos complementares: uma referência bem-humorada à origem musical da banda e uma reflexão sobre a liberdade, a incerteza e a experiência humana.

A relação com o blues surgiu naturalmente dessa interpretação. Em uma música construída também pela improvisação, nem tudo está definido antecipadamente. O músico precisa ouvir, responder, decidir e lidar com aquilo que acontece no momento. Há uma estrutura musical, mas dentro dela permanecem inúmeras possibilidades.

CONCEPÇÃO ARTÍSTICA

Blues como música de sentimento

Para a NaBeira Blues, o blues não se resume a um conjunto de escalas, acordes ou estruturas musicais. Esses elementos fazem parte de sua linguagem, mas não explicam isoladamente aquilo que o gênero representa.

O blues surgiu em um contexto histórico e social específico, ligado às experiências da população negra dos Estados Unidos. Em suas diferentes formas, reuniu maneiras de cantar, tocar e narrar experiências relacionadas ao cotidiano, às relações humanas, às dificuldades, ao humor, à perda, ao desejo e à celebração.

É nesse sentido que Tom e Fê utilizam a expressão "música de sentimento". Não como oposição à técnica musical, mas como reconhecimento de que a interpretação também envolve memória, vivência, escuta e expressão pessoal.

Uma mesma música pode adquirir características diferentes conforme os músicos que a interpretam, as circunstâncias da apresentação e a interação com o público. O improviso participa diretamente desse processo.

Essa concepção também está relacionada à maneira como o casal compreende a presença do blues em sua própria vida. A música acompanhou períodos de mudanças e dificuldades, oferecendo um espaço de expressão, convivência e elaboração de experiências pessoais.

Entre as imagens utilizadas pelo casal para falar dessa relação está a expressão "Merthiolate para as feridas da alma", uma metáfora pessoal para algo que pode arder ao tocar em determinadas experiências, mas que também permite expressá-las.

Não se trata de atribuir à música uma função terapêutica ou de apresentar o blues como solução para problemas humanos. Trata-se de reconhecer sua capacidade de dar forma artística a sentimentos e experiências que nem sempre são facilmente colocados em palavras.

IDENTIDADE MUSICAL

Chicago Blues, Koko Taylor e as influências da banda

A principal referência musical da NaBeira Blues é o Chicago Blues das décadas de 1950 e 1960, período marcado pela consolidação do blues elétrico e pelo trabalho de artistas como Muddy Waters, Willie Dixon, Howlin' Wolf, Little Walter e Buddy Guy.

O repertório também incorpora elementos do rhythm and blues, jump blues e boogie-woogie, estilos que compartilham parte de sua história com o desenvolvimento do blues urbano norte-americano.

Uma influência especialmente importante é Koko Taylor, cantora conhecida como a Rainha do Blues. Sua trajetória, seu repertório e suas interpretações ocupam um lugar central nas referências musicais de Fê Veras.

A presença feminina na história do blues também é um aspecto importante dessa escolha. Cantoras como Koko Taylor, Memphis Minnie e outras intérpretes participaram da construção e transformação do gênero, desenvolvendo maneiras próprias de cantar e se posicionar artisticamente.

Em novembro de 2022, a banda apresentou o espetáculo Tributo a Koko Taylor, no Teatro Décio de Almeida Prado, em São Paulo. O repertório incluiu músicas como I'm a Woman e Wang Dang Doodle.

A proposta musical da NaBeira Blues valoriza especialmente o groove, o shuffle, a síncope, o fraseado e o diálogo entre voz e instrumentos. São elementos que conferem ao blues uma identidade rítmica e expressiva que não pode ser reduzida apenas à sequência de acordes ou à execução de notas.

Tom e Fê Veras

GUITARRA

Tom Veras

Guitarrista, músico e professor de música, Tom tem no blues sua principal área de estudo e atuação. Na banda, participa da construção dos repertórios, arranjos e organização das diferentes formações.

Sua abordagem musical está relacionada à compreensão da linguagem do blues, especialmente o ritmo, o fraseado, a improvisação e a interação entre os instrumentos.

Conheça Tom Veras

VOZ

Fê Veras

Cantora e psicóloga, Fê começou sua experiência com o canto em uma fase mais madura da vida. Seu interesse pelo blues teve como uma das principais referências a cantora norte-americana Koko Taylor.

Na NaBeira Blues, desenvolveu sua interpretação vocal por meio dos ensaios, da convivência com os músicos e das apresentações, explorando particularmente a região grave da voz e os recursos expressivos do blues e do rhythm and blues.

Sua formação em Psicologia também integra a trajetória pessoal do casal, embora a atividade artística da banda tenha objetivos próprios.

A DINÂMICA DA BANDA

Um trem em constante movimento

Desde os primeiros ensaios, a NaBeira Blues desenvolveu uma maneira de trabalhar que não depende exclusivamente de uma formação fixa. Tom e Fê Veras constituem o núcleo do projeto, acompanhados por músicos convidados conforme as características de cada apresentação.

Ao longo dos anos, diferentes baixistas, bateristas, pianistas, gaitistas e instrumentistas de sopro participaram da banda. Essa circulação de músicos tornou-se uma das características do projeto.

Tom e Fê costumam utilizar a imagem de "um trem em constante movimento" para representar essa dinâmica. O trem continua sua viagem, enquanto diferentes músicos embarcam e participam de determinados trechos do percurso.

A imagem não se refere apenas à troca de integrantes, mas também à maneira como a música acontece. Mesmo quando o repertório é conhecido, cada formação traz possibilidades diferentes de interpretação, acompanhamento e improvisação.

Há espaço para aquilo que o casal chama informalmente de "ensaiar no palco". Isso não significa tocar sem conhecimento ou preparação, mas contar com uma linguagem musical compartilhada que permite aos músicos dialogar durante a própria apresentação.

O blues oferece condições especialmente favoráveis a esse tipo de encontro. Suas estruturas, convenções e padrões rítmicos permitem que instrumentistas com experiência no gênero encontrem caminhos de comunicação musical, mesmo sem terem realizado muitos ensaios juntos.

É também nesse aspecto que a NaBeira se aproxima de seu significado filosófico: existe uma direção, uma estrutura e um repertório, mas o resultado não precisa estar inteiramente determinado antes de acontecer.

Trio

Voz, guitarra e baixo, com possibilidade de percussão. Formação adequada para apresentações em espaços menores.

Quarteto

Voz, guitarra, baixo e bateria. Formação tradicional para o repertório de Chicago Blues.

Formação ampliada

Possibilidade de incluir piano, gaita e instrumentos de sopro, conforme o repertório e a proposta do evento.

TRAJETÓRIA

Apresentações e projetos

Desde 2019, a NaBeira Blues realizou apresentações em bares, espaços culturais, eventos de bairro e outros locais da cidade de São Paulo e municípios próximos.

Entre os locais e eventos que fazem parte de sua trajetória estão o Bar do Urso, Soul Hops, Soul Botequim, COA Bar y Parrilla, Sahara Craft Beer, ItaimFest, Teatro Décio de Almeida Prado, Casa de Cultura Chico Science e Centro Dia Nelson Mandela, além de apresentações em Santo André e Guarulhos.

O percurso do casal também inclui atividades culturais e educativas, como o projeto História e Estórias do Blues, que combina narrativas sobre a história do gênero com apresentações musicais.

Alguns momentos da trajetória

2019

Formação da NaBeira Blues e primeira apresentação pública, no Bar do Urso, em São Paulo.

2022

Apresentação do Tributo a Koko Taylor, dedicado à cantora e ao repertório do Chicago Blues.

2024–2025

Continuidade das atividades musicais e participação em projetos culturais e educativos relacionados ao blues.

2026

Retomada do nome NaBeira Blues como identidade principal da banda.

Shows realizados pela NaBeira Blues

Conheça parte da trajetória da banda por meio de registros de apresentações realizadas desde 2019, com fotografias, datas e locais de shows em São Paulo e região.

Ver histórico de shows

Gravações e composições

Além das apresentações ao vivo, a NaBeira Blues realizou sessões de gravação no estúdio Space Blues, com a participação do produtor Alexandre Fontanetti.

O trabalho envolveu diferentes configurações instrumentais, incluindo formações com instrumentos de sopro, permitindo registrar outras possibilidades de arranjo e interpretação do repertório.

A banda também desenvolve experiências com composições próprias, como Eu Tenho o Blues, ampliando seu trabalho para além das releituras de clássicos norte-americanos.

Os diferentes nomes do projeto

Ao longo de sua trajetória, o projeto musical de Tom e Fê Veras também utilizou os nomes Veras Blues Band e Boogie Blues Brasil.

Essas denominações foram utilizadas em diferentes períodos, acompanhando mudanças nas atividades e apresentações do casal, sem que o blues deixasse de ocupar o centro do trabalho musical.

Em 2026, Tom e Fê decidiram retomar o nome original NaBeira Blues.

A escolha está relacionada à identificação do casal com a expressão e seus significados. Os outros nomes descreviam aspectos da atividade musical, enquanto NaBeira reunia também a história da formação da banda e a concepção filosófica que passou a acompanhá-la.

Entre o planejado e o improviso

A NaBeira Blues reúne duas dimensões que acompanham o projeto desde sua origem. De um lado, o interesse pela história e pela linguagem musical do blues, especialmente pela tradição do Chicago Blues. De outro, uma compreensão da música como espaço de encontro, expressão e possibilidades.

O nome NaBeira traduz essa relação. Assim como na vida, a música exige decisões, envolve incertezas e acontece em circunstâncias que nem sempre podem ser controladas.

Para Tom e Fê, o improviso não é apenas uma técnica utilizada durante um solo. Ele também representa uma forma de escutar, responder e participar de algo que está sendo construído coletivamente.

É nessa relação entre a estrutura musical e a liberdade de interpretação que a banda procura desenvolver seu trabalho, preservando a linguagem do blues e permitindo que cada apresentação tenha suas próprias características.

SHOWS E EVENTOS

Contrate a NaBeira Blues

A NaBeira Blues é uma banda sediada em São Paulo, com disponibilidade para realizar shows em todo o Brasil. Atende bares, festivais, eventos particulares, corporativos e espaços culturais.

O repertório, a formação instrumental e as condições de contratação são definidos de acordo com as características do evento, a localização e a estrutura disponível.

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